sábado, 10 outubro , 2026

A ansiedade infantil em tempos de isolamento social

Ansiedade é o nome que damos às mudanças que acontecem em nosso corpo e em nossa mente quando precisamos nos defender de um perigo real ou imaginário. Os medos são parte natural da vida, eles emergem e se desenvolvem em momentos específicos do desenvolvimento humano. Porém, o que os diferencia do medo patológico é a intensidade e a duração dos mesmos, além da implicação bastante significativa na rotina do indivíduo.

Na criança, segundo a psicóloga do Centro Médico Unimed Tubarão, Mayra Savi Camilo, a ansiedade pode exercer uma forte interferência atrapalhando o seu rendimento escolar, vida social e afetando a família toda. Nos casos mais graves, pode marcar o início de angústia e tormentos, podendo levar a problemas mais sérios, como a depressão.

Nos últimos meses estamos experienciando o distanciamento social provocado pela Covid-19, o que gerou profundas mudanças na rotina das pessoas. Acentua a psicóloga que, para uma criança é muito mais difícil racionalizar a vivência de uma pandemia pois ela ainda não possui recursos cognitivos necessários para compreender algo como o coronavírus. “A resposta da criança a esta situação dependerá, em alto grau, da sua condição cognitiva e emocional e, esta, tem a ver com os adultos que a cercam”, avalia.

Na opinião de Mayra, as crianças se guiam pela observação de seus pais e familiares através da interação entre si e com elas. Segundo ela, o estresse surge da confrontação entre uma situação desconfortável e o recurso que o indivíduo tem para lidar com ela. Logo, não compreendendo direito a situação e reagindo principalmente às mudanças que percebe no comportamento dos familiares e em sua rotina, é comum haver na criança alteração no sono, no apetite, aumento de choro, da agressividade e da raiva.

Estudos recentes revelam que os problemas emocionais e comportamentais mais prevalentes são a distração, irritabilidade, medo de questionar sobre a pandemia e querer ficar “agarrados” aos familiares sobretudo crianças menores, entre 3 a 6 anos. O estresse, segundo a psicóloga, pode levar à ansiedade e, quando a origem do estresse é a percepção de um evento ameaçador, é preciso atentar para três necessidades psicológicas universais: relacionamento ou senso de pertencimento (sentir-se aceito e compreendido pelos outros), competência (sensação da manutenção do controle da situação para gerenciar os desafios) e autonomia (ter a chance de agir e acreditar em sua capacidade de realizar tarefas ou tomar decisões).

 

Rotinas saudáveis

Baseando-se em informações do Comitê Científico do Núcleo de Ciência pela Infância sobre as repercussões da pandemia de Covid-19 no Desenvolvimento Infantil, ela lembra que não há dúvida de que o contexto de estresse gerado por essa pandemia atrapalha a formação de um ambiente familiar propício ao desenvolvimento saudável da criança. “Nos lares em que as crianças sofrem com falta de limites, de estimulação inadequada, negligências, violência física e/ou psicológica, a situação tende a se agravar, pois os problemas existentes podem ser potencializados pelo distanciamento social e pelo estresse”, acrescenta.

Sendo assim, a parentalidade positiva torna-se fundamental, podendo promover o cuidado físico, social e emocional através de rotinas saudáveis, nível de estimulação essencial e entendimento às necessidades da criança. “A família tem um papel protetor e co-regulador das emoções e comportamentos das crianças, fundamentais em momentos de crise. Caso os familiares percebam que estão com dificuldades de controlar a situação, devem buscar auxílio para um suporte e orientação com profissionais especializados”, orienta.

A psicóloga diz que é preciso estabelecer horários e rotinas no ambiente doméstico e também promover atividades que ajudem a estruturar o dia e favorecer a interação, auxiliando nas tarefa de casa, incentivando a leitura, contação de histórias, desenhar, colorir, praticar brincadeiras e jogos e até exercícios físicos leves.

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